segunda-feira, 23 de maio de 2011

Exegese de Mateus 9.9-13 - parte 3

6) Análise semântica teológica
            Mateus – filho de Alfeu, publicano, um dos 12 discípulos
            Publicanos – Judeu que cobrava impostos para o governo romano. Era desprezado por trabalhar para um dominador estrangeiro e por ser geralmente desonesto (Lc 3.12-13).
            Pecadores – pessoas pobres que não podiam cumprir todos os ritos               judaicos e por isso eram excluídos.
            Discípulos – Grupo de 12 que Jesus escolheria.
            Fariseus – Membros de um dos principais grupos religiosos dos judeus. Os fariseus seguiam rigorosamente a Lei de Moisés e as tradições e os costumes dos antepassados (Mt 23.25-28). Acreditavam na ressurreição e na existência de seres celestiais (At 23.8). Os fariseus não se davam com os SADUCEUS, mas se uniram com eles para combater Jesus e os seus seguidores (Mt 16.1).
            Arrependimento - Decisão de mudança total de atitude e de vida, em que a pessoa, por ação divina, é levada a reconhecer o seu pecado e a sentir tristeza por ele, decidindo-se a abandoná-lo, baseando sua confiança em Deus, que perdoa (Mt 3.2-8; 2Co 7.9-10; 2Pe 3.9). O complemento do arrependimento é a FÉ (2). E os dois juntos constituem a Conversão: Mudança de vida operada por Deus (At 15.3). Essa mudança tem dois aspectos. O primeiro, relacionado com o pecado, chama-se arrependimento. O segundo, relacionado com Cristo, é a FÉ (2). Remorso: Atormentador senso de culpa por mal ou crime praticado (RA Mt 27.3). É diferente do arrependimento, que é tristeza pelo pecado cometido acompanhada da decisão de abandoná-lo.
7) Contexto Histórico-social
         Os romanos usavam da coletoria para cobrarem impostos em estradas, pontes e canais e também em lagos cobrando pela pesca. Os publicanos, que eram os que faziam esta cobrança aliados ao romanos, pois, os publicanos cobravam a taxa romana mais a parte deles, fazendo com que por diversas vezes fossem cobrados muito além do que os romanos cobravam, dificultava o relacionamento com os restantes dos judeus, incluindo os fariseus, que iam contra a dominação romana. Normalmente um publicano cobrava 5% do preço da compra de artigos normais de comércio, e até 12,5% sobre artigos de luxo. Mateus cobrava impostos também dos pescadores que trabalhavam no mar da Galiléia e dos barqueiros que traziam suas mercadorias das cidades situadas no outro lado do lago. O judeus consideravam impuro o dinheiro dos cobradores de impostos, por isso nunca pediam troco. Se um judeu não tinha a quantia exata que o coletor exigia, ele emprestava-o a um amigo. Os judeus desprezavam os publicanos como agentes do odiado império romano e do rei títere judeu. Não era permitido aos publicanos prestar depoimento no tribunal, e não podiam pagar o dízimo de seu dinheiro ao templo. Um bom judeu não se associaria com publicanos (Mt 9.10-13). Mas os judeus dividiam os cobradores de impostos em duas classes. a primeira era a dos gabbai,  que lançavam impostos gerais sobre a agricultura e arrecadavam do povo impostos de recenseamento. O  Segundo grupo compunha-se dos mokhsa era judeus, daí serem eles desprezados como traidores do seu próprio povo. Mateus pertencia a esta classe.

         Como descrito acima era um grupo que primava pelos ensinos do A.T. (denominação de nosso tempo) e pelos ritos dos anciões. Por esse fato se opõem a Jesus que se relacionavam com todos sem descriminar a ninguém, exemplificando muito bem este fato temos o texto da exegese.
         Jesus vai a Gadara e volta para Cafarnaum. Esta cidade está localizada a beira do mar da Galiléia e está bem localizada. Cafarnaum, (em grego Kαφαρναουμ, transl. Kapharnaoum; em hebraico: כפר נחום, transl. Kephar Nachûm, "aldeia" ou "vila de Naum"), é uma cidade bíblica que ficava na margem norte do Mar da Galiléia, próxima de Betsaida (terra natal de Simão Pedro) e Corozaim.
Muito perto passava a importante Via Maris (Estrada do Mar), que ligava o Egipto à Síria e ao Líbano e que passava por Cesareia Marítima. O facto de possuir uma alfândega (Mateus 9:9) e uma guarnição romana sugere que se tratava de uma cidade fronteiriça entre os estados de Filipe e Herodes Antipas.
O Evangelho de Mateus diz-nos que Jesus se aproximou deste improvável discípulo quando ele esta sentado em sua coletoria. Jesus simplesmente ordenou a Mateus: "Segue-me!" Ele deixou o trabalho pra seguir o Mestre (Mt 9.9).
Evidentemente, Mateus era um homem rico, porque ele deu um banquete em sua própria casa. "E numerosos publicanos e outros estavam com eles à mesa" (Lc 5.29). O simples fato de Mateus possuir casa própria indica que era mias rido do que o publicano típico.
Por causa da natureza de seu trabalho, temos certeza que Mateus sabia ler e escrever. Os documentos de papiro, relacionados com impostos, datados de cerca de 100 dC, indicam que os publicanos eram muito eficientes em matéria de cálculos.
Mateus pode ter tido algum grau de parentesco com o discípulo Tiago, visto que se diz de cada um deles ser "filho de Alfeu" (Mt 10.3; Mc 2.14). Às vezes Lucas usa o nome Levi para referir-se a Mateus (Lc 5.27-29). Daí alguns estudiosos crerem que o nome de Mateus era Levi antes de se decidir-se a seguir a Jesus, e que Jesus lhe deu um novo nome, que significa "dádiva de Deus". Outros sugerem que Mateus era membro da tribo sacerdotal de Levi.
De todos os evangelhos, o de Mateus tem sido, provavelmente, o de maior influência. A literatura cristã do segundo século faz mais citações do Evangelho de Mateus do qu de qualquer outro. Os pais da igreja colocaram o Evangelho de Mateus no começo do cânon do NT provavelmente por causa do significado que lhes atribuíam. O relato de Mateus desta a Jesus como o cumprimento das profecias do AT. Acentua que Jesus era o Messias prometido.
Um das possibilidades de interpretação deste texto e de que Jesus vendo Mateus demonstra que sempre Jesus é que nos escolhe primeiro e não nós a Ele, não foi Mateus que buscou a Jesus e sim Jesus que buscou a Mateus; Mateus em toda a passagem não parece demonstrar falar apenas agir ao chamado de Cristo, Jesus falou antes de Mateus lhe falar algo.
Quando se aceita ao chamado de Jesus percebe-se uma mudança dos parâmetros que regem a vida de quem o aceita. Nos textos percebemos a mudança de Pedro ao reconhecer que era pecador, a ponto de entender que não poderia ficar na presença de Jesus; observamos também a posição de Zaquel, outro publicano que, ao aceitar ao convite de salvação de Jesus, tem sua vida mudada; mais observamos também a vida do jovem rico que não aceita ao convite de salvação, preferindo suas riquezas a salvação de Jesus.
Estando ele em casa à mesa. Esta festa na casa de Mateus (Lc. 5:29) talvez fosse realizada algum tempo depois de sua chamada. Ele convidou publicanos e pecadores, seus antigos companheiros que viviam em oposição à vontade de Deus conforme revelada no V.T. Sem dúvida os convidou para que Jesus pudesse ganhá-los para Si.
Para os fariseus que faziam a mais rígida distinção e se tinham na conta de justos, Jesus respondeu que o seu ministério era necessário aos pecadores, como os serviços do médico são necessários aos doentes. Jesus usou a estimativa dos próprios fariseus a respeito de si mesmos para responder à objeção deles.
Misericórdia quero, e não sacrifício (Os. 6:6). Uma atitude misericordiosa para com os espiritualmente necessitados é muito melhor do que a mera formalidade nas obrigações religiosas (sacrifício) sem nenhuma preocupação com os outros. Não é suficiente conhecer a letra da lei e sim o seu espírito, aprender a aplicar as escrituras e corrigir seus próprios erros. A justiça própria é negada por Jesus, mais o desejo pela misericórdia de Cristo o motiva a nos perdoar. A idéia de chamar os pecadores tem como significado atrair os pecadores em amor.
Significado de misericórdia é a Graça ou favor recebidos sem merecimento. Literalmente significa coração sofredor. Muitos de nós desconhecemos o sentido real dessa palavra, pois quando pedimos misericórdia a Deus estamos pedindo para que Ele sofra conosco.
Ela representa tudo que Deus fez por nós, tudo em nossa vida. Sem ela nunca poderíamos ter acesso a salvação que Jesus nos ofereceu.

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